Construção civil está a caminho da economia circular

Construção civil está a caminho da economia circular

A construção civil caminha em direção à economia circular. Há diversas ações que vão nesse sentido. Mas, da mesma forma que ocorre com a indústria têxtil, a da construção também possui modelo econômico linear e enfrenta dificuldades para se afastar dele. Seu maior desafio é desenvolver construções que permitam reutilizar os seus materiais em novos ciclos, com a mesma qualidade ou superior – característica da reciclagem do tipo upcycle.

De acordo com pesquisa da Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos de Construção Civil e Demolição (Abrecon), os resíduos de construções e demolições representam até 70% dos rejeitos sólidos produzidos pelas cidades brasileiras médias e grandes [1].

Essa predominância do entulho evidencia a dificuldade enfrentada pelo setor de evitar o fim da vida útil dos materiais. Por entulho, o dicionário Aurélio define como “materiais inúteis resultantes da demolição”. Há de fato muita coisa que não tem mais utilidade porque não foi pensada desde sua concepção para que os materiais continuassem empregados em ciclos de mesma qualidade ou superior.

A economia circular considera que os edifícios sejam bancos de materiais. Sendo assim, cada parte de uma construção tem seu valor e está inserida em um ciclo. O design circular é aplicado ao projeto de edifícios e áreas construídas, devendo se voltar para o processo de concepção e montagem das partes que os constituem, ou seja, de suas paredes, colunas, lajes, telhados, fundações, pavimentos, tubulações, divisórias, mobiliário etc.

O objetivo é tornar os materiais usados nessas estruturas reutilizáveis nas próximas gerações de construção. Cada uma dessas partes tem duração diferente, e o projeto deve levar isso em consideração. Por exemplo, enquanto a estrutura do edifício (pilares, fundação e viga) pode durar até 300 anos, as divisórias internas têm uma duração menor e devem ser flexibilizadas dependendo do uso do edifício.

A construção modular através de tecnologias como steelframe, woodframe e impressoras 3D é um exemplo da aplicação de critérios da economia circular na construção civil. Como essas estruturas são montadas por meio de encaixes e parafusos, não há necessidade de uso de cimento ou cola. Vantagem adicional está na construção ou reforma do edifício sob demanda, o que se torna possível devido à estrutura modular. A Arena do Futuro e o Estádio Aquático Olímpico, construções erguidas para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, foram feitas por meio do método da construção modular.

Técnicas mais antigas de construção também podem ser inseridas nesse processo, com o intuito de se utilizar o conhecimento local e captar recursos renováveis, aumentando assim a efetividade dos sistemas e dando suporte à biodiversidade. No livro “Cradle to Cradle: criar e reciclar ilimitadamente”, os autores Michael Braungart e William McDonough descrevem um tipo de telhado formado por uma leve camada de solo coberta por plantas, que mantêm a estrutura em uma temperatura estável e a protege dos raios solares destrutivos. Trata-se, como você percebeu, do chamado telhado verde ou ecológico. Essa ideia não é nova, porém é inovadora dentro do nosso contexto urbano. Telhados verdes, além de manterem os ambientes mais frescos, fornecem habitat – já escasso – para as espécies locais.

A economia circular aplicada à construção diz respeito também ao uso inteligente do espaço construído. O objetivo é, por meio dos princípios da economia circular, construir prédios ou condomínios que atendam melhor às necessidades do cidadão e do usuário, os quais compartilham alguns serviços. Novas construtoras têm apostado em prédios residenciais com uma proposta nova de valor. Os apartamentos são menores, e os condomínios contam com serviços compartilhados como áreas de coworking, lavanderia, serviços de limpeza e espaço para armazenamento.

Por fim, destaque para a tecnologia 3D que, como falamos, está sendo utilizada de forma promissora na construção civil. Segundo Michael Pawlyn, autor do livro Biomimicry in Architecture, desde 2009, construções menores estão sendo impressas em 3D a partir de material parecido com o concreto. O problema é que essas estruturas, embora sejam superiores às convencionais do ponto de vista de economia circular, têm potencial limitado de reciclagem. Essa situação deve mudar nas próximas décadas porque será possível usar nesse processo de impressão 3D polímeros plenamente recicláveis que possuem ciclo de uso infinito, fazendo com que as construções estejam enquadradas no contexto da economia circular. Esses materiais serão feitos com 1% da energia dedicada ao processo convencional, em estruturas dez vezes mais eficientes, o que deve significar uma verdadeira revolução na indústria da construção civil [2].

[1] http://abrecon.org.br/pesquisa_setorial/

[2] Michael Pawlin, Push the limits of 3D printing, Nature, vol. 494, 14 de fevereiro de 2013.

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